segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ESTRANHA FELICIDADE


Eu prefiro a infelicidade,
A ser feliz na ignorância.
É ignorantemente feliz
Quem vive da ganância.
Quem das horas faz cantiga,
Dos minutos uma dança.
E quando o dia ao fim chega,
Só o profundo sono alcança.

É ignorantemente feliz
Quem não arrisca o certo pelo incerto.
Outra sina não quis,
E viaja para tão perto!

Quem é feliz ignorantemente,
Tem essa infelicidade.

Na sua vida de marioneta
Ama tanto o seu rotineiro papel
Que no decorrer da dança e da cantiga
Não ama nunca a Liberdade!

O MEU GUIA: O MAR, O SONHO, A FANTASIA

Cresci mais,
Na
terra.
Sonhei ser mais
Do que os
Homens.
Sonhei...



Chove em mim,
Tua luz.
Navego, enfim,
Outros mares.
Eu sei...

Alma,
minha
ALma.

Sente,
ALma,
minha.

Canta mais
P´ra
mim,
Canta mais
Na minha noite.
Embala...

Canto,
Meu canto
Meu fado.

medo,
Na melodia.
noite,
Findo o dia.

Ana Lúcia

A CONFISSÃO


Chora,
Encanto, chora
Que o teu tormento
Nem terminou.

Chora,
Que enquanto choras
Não vês de perto
O teu penar.

Trago
O segredo
No meu peito.
E a toda a hora
Só recordo o que te dei;

-Leva tudo de mim...

Madredeus
Composição: Pedro Ayres Magalhães

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

NO FUNDO DAS GAVETAS

Vasculha bem nas gavetas
As soluções para os problemas.
Hás-de encontra-las.

Lá estão guardados tesouros:
Já os viveste outrora,
Dá-lhes uso agora
Para assim conquistares outros,

Diferentes,
Nunca iguais.
E quando quiseres mais,
Conquistar,
Dá-te e dar-te-ão.
O segredo é amar.

sábado, 25 de outubro de 2008

SEI, O QUE NÃO SEI

Não sei se gosto de ser assim.
Igual a mim mesma.
Viver num mundo assim,
E fazer da história sempre a mesma,

Igual a tantas outras: vulgares.
Em que a história é a mesma
Só mudam os lugares: vulgares.

Não sei se gosto de ser assim.
Não sei se devo mudar a história.
Não sei se mudam os lugares: vulgares.
Sei, como sei, não sei,
Que não devo ser assim,
E que tudo tem que ser assim.
Nada pode mudar,
Mas nada deve assim continuar.

Na diferença surge sempre
O problema de nada ser igual!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

PARABÉNS MÃE!

Neste dia, quis
fazer-te mais feliz.
Quis que fosses o ponto de atracção,
E que todos te dessem atenção!
Espero que tenha sido um bom dia para ti. Eu fui feliz porque passei-o contigo, e porque te vi a sorrir, ainda que vagamente. É impossivel controlar o tempo! Mas se é impossivel, não pensemos nisso. Vamos sim, envelhecer juntas e rejuvenescer a cada dia o amor de mãe e de filha!
"Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça! Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!"

AMO-TE

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

VAZIO
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Se há eco no vazio,
Então não há vazio.
Há ali algo que reflecte
O que a palavra reflecte.

Vem até mim a palavra incompleta
Desgasta-se o campo semântico.
De que me serve então pronunciá-la? Será,

Para eu perder o sentido desta?
Ou para eu completar esse eco?
À priori não conheço o seu sentido.

Então se há eco no vazio
Há a possibilidade de eu
Fazer uso da incompleta palavra
Completando-a à minha maneira.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

A FUGA

Corremos.
Aflitos, fugimos.
Confusos, perdemos.
E cansados, desistimos.
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Se já sabemos que de nós próprios
Nunca conseguimos escapar,
Para quê continuar
A desperdiçar
O nosso precioso tempo?

Corremos.
Aflitos, fugimos.
Confusos, perdemos.
E cansados, desistimos.
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E nunca de nós escapamos!
Assim será a corrida,
Até ao fim…!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Para ser grande, sê inteiro.

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive


Ricardo Reis

quinta-feira, 11 de setembro de 2008



.:RENASCER:.


Eu sou um ser
Faminto de saber,
E numa chuva de ideias
Deixo-me molhar.
Num vulto nada mais opera
Senão, a chuva de ideias,
Pela qual me deixo encharcar.


Reage, a epiderme, ao toque
Da gota de água cristalina
Sugada pela melanina.

A pele resiste,
O coração insiste, em bombardear
Fortemente,
O fluído escarlate, antes
Impotente,
Agora capaz de purificar
Os canais poluídos
Do meu corpo.

Ergue-se o ser,
Retorna a bonança.
Faminto de saber,
Eis a aliança,
Que no vulto sem vida
Me fizera renascer.